Sep 30, 2003

Happy International Translator's Day



And for a balanced perspective, let's pay hommage to Kumarajiva as well...

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Sep 10, 2003

O cardápio indigesto do tradutor
(Fritz Utzeri, Jornal do Brasil, de 7 XI 2003)

Tenho o maior respeito pelos tradutores. Acho muito mais difícil traduzir
do que escrever, porque traduzir bem é reescrever, recriar a partir do zero,
sem ser literal, embora permanecendo estritamente fiel à obra. Imagino o
Antonio Houaiss tendo à frente o volume, em inglês, com o início de Ulisses:
''Sobranceiro, fornido, Buck Mulligan vinha do alto da escada...''.
Sobranceiro! Se começasse a escrever um livro, começaria com sobranceiro? E
imaginem um alemão que resolvesse traduzir Guimarães Rosa (o que foi feito,
mas ignoro o nome do herói). Abre o Grande sertão: veredas e a primeira
palavra com que se depara é: ''Nonada''. E agora? Como é ''nonada'' em
alemão?
O Magu, que anda sumidíssimo depois que o Flor do Lavradio entrou numa
reforma que não acaba, pensou em desistir da profissão de repórter e
suicidar-se depois que teve que explicar para o editor do Montbläat, o
jornal em que trabalha, o que vinha a ser ''subteto do Poder Judiciário''.
Experimentem traduzir ''subteto'' numa língua racional qualquer, como o
sueco, e vejam o que é bom para a tosse.
Para mim, ser tradutor é chegar a um patamar da intelectualidade ao qual
jamais terei acesso. É gente como os Marcos, o Santarrita e o de Castro, o
Leo Schlafman, a Eliane Zaguri e - por que não? - simplesmente o
incomparável Millôr. Tenho uma amiga, Kristina Michaellis, que também se
dedica a traduções. Traduziu pacientemente as cartas de meu pai à minha mãe
pouco antes dele morrer, na Segunda Guerra. São cartas apaixonadas, mas onde
o terror do nazismo se insinua, banalmente, nas providências que ambos
discutiam para que ela pudesse tirar um atestado de pureza racial que
permitiria o casamento de ambos, já que ela era italiana e ele alemão. (Não
foi possível, a morte foi mais rápida do que a burocracia totalitária e
absurda.)
Tentei traduzir uma vez e não fui além do primeiro capítulo. É um livro de
um jornalista francês, Dominique Lapierre, "Muito além do amor". Meu nome
figura (imerecidamente) nos créditos como tradutor com o mesmo destaque de
Ana Maria Sarda, que fez 90% do trabalho. Traduzir é difícil (e em geral
mal pago). Vejam só o que pode acontecer quando burros informáticos
resolvem achar que traduzir é mole e bolam programas de tradução
instantâneos que outros, mais burros (ou sovinas) ainda, usam.
Há alguns meses fui a Brasília e hospedei-me num dos hotéis mais finos da
cidade. À noite bateu a fome e resolvi consultar o serviço de quarto.
Comecei a ler o cardápio, cuidadosamente impresso, e fui ficando assustado.
Onde eles teriam arranjado tal tradutor maluco? Tudo era literal. O
contrafilé, em português, virou against filet. Creme Rachel, um tipo de
sopa, foi traduzido para It cremates Rachel. ''Creme'', substantivo, virou
verbo e a ordem era pegar a pobre da Raquel e metê-la num forno até virar
cinzas. Outro prato era à base de ''nobre corte de contrafilé''. O corte
da carne era nobre, mas o ''tradutor'' achou por bem transformar o adjetivo
''nobre'' em substantivo e deu num prato de canibal: nobleman cuts of
against filet, ou seja, ''cortes de contrafilé de nobre''.
Maminha de alcatra é outro pedaço de carne que pode ser muito traiçoeiro se
for traduzido literalmente. Vejam só. Em português o hotel oferece:
''delicada peça de maminha grelhada''. Maminha foi traduzido, ao pé da
letra, como breast, que em inglês significa seio, mama ou peito, mas jamais
um corte de carne. Imaginem o americano ou inglês horrorizado ao constatar
que pode pedir (e comer) delicate breast pieces griled, ou seja ''delicados
pedaços de seio grelhados''.
Mais estranha ainda ficou uma picanha na ''manteiga ao café de Paris''.
Paris, a capital francesa, metamorfoseou-se no verbo ''parir'', ''dar à
luz''. A coisa ficou assim em inglês (?): butter coffe of you give birth,
algo que - tentando verter para o português - resultaria em mais ou menos
isto: ''manteiga café que você pariu''.
Já imaginaram o gringo tentando entender frutas da estação (da primavera,
verão, etc., season em inglês), traduzidas como fruits of the station, ou
seja, da ''estação'' (de trem)? Tiras finas de carne resultam em fines
ribons of meat. Ribbon em inglês é ''fita'' e não ''tira''. ''Molho de
espinafre'' passa pelo mesmo processo maluco: o molho (substantivo), sauce
em inglês, vira wet, do verbo ''molhar'' e resulta em algo que até parece
inglês: I wet of spinach. A essa altura o hóspede deve achar que se internou
num manicômio e vai ter certeza quando perceber que lhe estão oferecendo
Pitus in coconut. (Continua no próximo domingo.)

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Aug 28, 2003

Ofício de Tradutor. Entrevista de Paulo Henriques Britto.

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Aug 19, 2003

Father of Transcreation Dies in São Paulo. O poeta, tradutor e figura seminal da intelectualidade brasileira, Haroldo de Campos, morreu domingo passado.

Nas listas de tradutores, aproveita-se a emergência do tema Haroldo para criticar duramente o seu trabalho, rebaixado por alguns à categoria de empulhação. Acho que não se pode entender as vanguardas brasileiras e o concretismo em particular sem reconhecer a importância de Haroldo de Campos. A inveja move mais mundos do que a física.

Fico sentida com sua morte, e mais ainda, ao ver a pobreza de espírito com que os pensadores verdadeiramente originais são encarados no meu país. Por sorte a imprensa brasileira faz jus a Haroldo em diversos editoriais e artigos.

Um punhado de links não pode dar a dimensão do trabalho do Haroldo. Leiam o Anticrítico.

Links relacionados: entrevista com Haroldo de Campos

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May 27, 2003

May 6, 2003

Knights Errant of Literature. Open Letter to the press from a group of literary translators who participate in the discussion list Biblit, demanding greater respect and just recognition for the all-too-often overlooked figure of the translator, "literature's last, true knight errant", according to the epic definition of Fruttero&Lucentini:

«The problem of translating is actually the very same as that of writing, and the translator is at the heart of it perhaps even more so than the author. He is asked [...] to master not just a language, but everything that lies behind it, that is to say, an entire culture, an entire world, an entire way of viewing the world. [...] He is asked to pull off this arduous yet impassioned effort without calling attention to himself. [...] He is asked to consider the fact that the reader isn't even aware of him his greatest triumph [...] an ascetic, an essentially selfless hero, ready to give his all in exchange for very little and to disappear into the twilight, anonymous and sublime, when the epic deed is accomplished. The translator is literature's last, true knight errant».


Click for Italian and Spanish versions of the letter and be sure to add your signature.

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Jan 6, 2003

The Unsung Heroes of Poetry. Translators barely receive a mention, but they deserve a Nobel prize, says Daniel Weissbort.

via isabella massardo's weblog

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