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Para ajustar o ouvido ao novo idioma, era precise renegar todos os outros. Segui a recomendação de Kriska, exceto por meia dúzia de palavras em inglês, sem as quais não teria roupa lavada nem um prato de sopa no quarto do hotel. Deliberei por via das dúvidas jamais atender ao telefone, que aliás nunca tocou, e ainda renunciei a rádio e televisão, cuja programação local, segundo Kriska, andava infestada de termos estrangeiros. Assim, depois de um mês em Budapeste, já me soava quase familiar a cadência das palavras húngaras, com a tônica sempre na primeira sílaba, mais ou menos como um francês de trás para diante. Um mês em Budapeste, na verdade, significava um mês com Kriska, porque sem ela eu evitava me aventurar na cidade; receava perder, no vozerio da cidade, o fio de um idioma que vislumbrava apenas pela sua voz.
According to Globo, Buarque never set foot on Budapest while writing the story.
According to the Mermaid, this book is gold to languagephiles. I've been taking peeks at it and can't hardly wait for the Corcovado Cowboy to finish it so I can borrow it from him.
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